O que os moradores do Rio mais temiam, pode estar de volta neste verão. A dengue, uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, foi responsável por mais 249.734 casos e 174 mortes em todo Estado do Rio na epidemia de 2008. Mas o que era dor se transformou em solidariedade. Marcos Garcia Roig e Paulo Roberto Evaristo perderam seus filhos Rodrigo e Daniel, respectivamente, este ano. Desde então criaram a Associação de Vítimas da Dengue (Avide), onde pretendem conscientizar que a dengue é uma doença social, uma vez que sua disseminação é resultado de uma variada gama de falhas na infra-estrutura da sociedade brasileira (falta de educação, saneamento básico, políticas de saúde pública, etc). Além de desenvolver eventos de conscientização da população, a associação pretende dar suporte emocional as famílias com menos condições econômicas para que se reorganizem após a perda de um ente querido através dessa terrível doença.“Meu filho não morreu em vão. As pessoas devem ter consciência que a dengue mata e cobrar atitudes dos governos. Além disso, cada um tem que fazer a sua parte”, disse Marcos Garcia Roig, presidente da associação.
No início de novembro, o Governo Estadual e Federal assinaram um termo de compromisso, no qual o combate à dengue será prioridade. Já o futuro prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou que desde o dia primeiro de janeiro, a Prefeitura estará atuando no combate à doença. Mas a população pode e deve ajudar. Não é difícil encontrar focos do mosquito pela cidade.
“Através de uma política educativa e não apenas informativa, as pessoas saberão como combater a dengue. Não podemos esperar a boa vontade da esfera pública, temos que agir. E a hora é agora”, afirmou o epidemiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Medronho.
O Rio de Janeiro já sofreu com outra epidemia, desta vez em 2002, com a entrada do vírus tipo 3. Quase 290 mil pessoas contraíram a doença no Estado e 91 morreram em todo o Estado, sendo 65 mortes e 138 mil casos somente na capital. Foi o ano com mais casos de dengue na história do país, concentrados no Estado, ficando atrás apenas de última epidemia, onde mais de 100 pessoas morreram só na capital. A dengue assusta.
“Todos da minha família tiveram dengue. Eu já tive duas vezes e da última vez, fiquei internada porque foi hemorrágica. Tive muito medo de morrer”, conta Germana de Souza, moradora de Santa Cruz, na Zona Oeste, uma das regiões mais castigadas pela doença este ano.
Os principais sintomas da dengue são:
- febre alta,
- dores no corpo e nas articulações,
- dor de cabeça na altura dos olhos,
- cansaço
- e mal estar.
Ao sinal de qualquer sangramento, principalmente no nariz ou na gengiva, vá ao médico imediatamente. A dengue não tem cura. A melhor prevenção é a informação.
Texto de Carol Perez
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